Como os permutadores de calor contribuem para os objetivos EU 2030 e a Diretiva de Eficiência Energética 2023/1791

Como os permutadores de calor contribuem para os objetivos EU 2030 e a DEE 2023/1791 | BOIXAC Blog técnico › Sustentabilidade e eficiência energética Como os permutadores de calor contribuem para os objetivos EU 2030 e a Diretiva de Eficiência Energética 2023/1791 A DEE 2023/1791 e o pacote Fit for 55 transformaram a eficiência energética industrial numa obrigação legal. Analisamos o quadro regulamentar e o papel dos sistemas de recuperação de calor como medida de eficiência verificável. BOIXAC Tech SLDiretiva (UE) 2023/1791 · Fit for 55 · EU 2030Leitura técnica — 8 min Aviso importante — informação de carácter divulgativoOs conteúdos deste artigo, incluindo as referências a datas, limiares e obrigações regulamentares, têm finalidade estritamente informativa. A regulamentação europeia e a sua transposição nacional estão sujeitas a alterações. A BOIXAC Tech SL não assume qualquer responsabilidade decorrente de decisões tomadas com base neste artigo. Consulte sempre um consultor jurídico ou energético qualificado. Índice de conteúdos O contexto: a eficiência energética como obrigação legal Obrigações das empresas ao abrigo da DEE 2023/1791 O princípio Energy Efficiency First O pacote Fit for 55 e a Taxonomia da UE A recuperação de calor como medida verificável O calor residual industrial: o potencial disponível A auditoria energética como ponto de partida A confluência da DEE 2023/1791, do pacote Fit for 55 e do objetivo climático EU 2030 cria um quadro em que recuperar o calor residual dos processos industriais deixa de ser uma opção de melhoria e passa a ser uma medida prioritária que as auditorias energéticas obrigatórias colocarão sistematicamente em cima da mesa. 55%Redução emissões GEE UE em 2030 (vs 1990) 11,7%Redução consumo energia final UE em 2030 1,9%Poupança energética anual obrigatória 2028–2030 10 TJLimiar de consumo para auditoria obrigatória O contexto: a eficiência energética como obrigação legal Durante décadas, a eficiência energética na indústria foi uma decisão voluntária. A aprovação do pacote Fit for 55 em 2021 e a entrada em vigor da Diretiva (UE) 2023/1791 de 13 de setembro de 2023 — a nova Diretiva de Eficiência Energética (DEE), versão reformulada — transformaram a eficiência energética numa obrigação legal para um número significativo de empresas industriais europeias. O objetivo central é claro: reduzir o consumo de energia final da UE em pelo menos 11,7% em 2030 face às projeções de referência, como contribuição essencial para o objetivo climático de redução das emissões em 55% face aos níveis de 1990 (Regulamento (UE) 2021/1119). Obrigações das empresas ao abrigo da DEE 2023/1791 A principal novidade da DEE 2023/1791 é que as obrigações deixam de depender da dimensão da empresa e passam a ser determinadas pelo seu consumo energético real. Prazos e limiares-chave da DEE 2023/1791 11 de outubro de 2025: prazo para a transposição da Diretiva para a legislação nacional dos Estados-Membros da UE. 11 de outubro de 2026: primeira auditoria energética obrigatória para empresas com consumo médio anual superior a 10 TJ (≈ 2,78 GWh). Periodicidade: de quatro em quatro anos. 11 de outubro de 2027: implementação obrigatória de um Sistema de Gestão de Energia (SGE) certificado (ISO 50001) para empresas com consumo superior a 85 TJ (≈ 23,6 GWh). ℹ️ As datas provêm do texto da Diretiva publicado no JOUE. A transposição nacional pode introduzir variações. Em Portugal, estas obrigações articulam-se com o PNEC 2030 e o SGCIE (Decreto-Lei n.º 71/2008), que já impunha obrigações de auditoria a grandes consumidores industriais. O princípio «a eficiência energética em primeiro lugar» (Energy Efficiency First) A DEE 2023/1791 eleva pela primeira vez a nível legal o princípio Energy Efficiency First. Recuperar o calor residual dos próprios processos deve ser a primeira opção a avaliar antes de considerar novas fontes de calor. Implicação prática para a indústria Um processo industrial com fluxos de gases quentes, águas de arrefecimento ou efluentes térmicos é, no âmbito da DEE 2023/1791, um recurso energético interno que deve ser sistematicamente avaliado. O pacote Fit for 55 e a Taxonomia da UE A DEE 2023/1791 enquadra-se no pacote Fit for 55, que inclui a revisão do CELE (EU ETS), a Diretiva das Energias Renováveis (RED III), o Regulamento da Taxonomia da UE e a própria DEE. Oportunidade de financiamento: Taxonomia da UE e fundos europeus Os investimentos em recuperação de calor industrial podem qualificar como atividades alinhadas com a Taxonomia da UE. Para empresas portuguesas, acrescem os apoios do Fundo de Eficiência Energética (FEE), os programas do PNEC 2030 e os fundos Next Generation EU. A recuperação de calor residual como medida de eficiência verificável Tecnicamente mensurável e verificávelA poupança obtém-se com Q = ṁ · cp · ΔT, onde todas as variáveis são mensuráveis de forma contínua e independente. Compatível com os protocolos M&V exigidos pela DEE para acreditar poupanças. Elegível para mecanismos de apoioEm Portugal e noutros países da UE, a instalação de sistemas de recuperação de calor industrial é elegível para apoios financeiros ao abrigo dos programas nacionais de eficiência energética. Reduz diretamente as emissões CO₂Ao recuperar calor que de outra forma exigiria queimar combustível, reduzem-se diretamente as emissões de CO₂ (Âmbito 1 do GHG Protocol / ISO 14064). Compatível com o EU ETS e a CSRD 2022/2464/UE. O calor residual industrial: o potencial disponível Segundo estimativas de diversas agências energéticas europeias, o potencial total de calor residual industrial na UE situa-se em torno de 300–400 TWh/ano. Cerca de metade corresponde a temperaturas superiores a 100 °C. Onde há calor residual recuperável Gases de combustão (fornos, caldeiras, turbinas): temperatura habitual 200–600 °C. Vapores de processo e condensados: temperatura 100–200 °C. Águas de arrefecimento de compressores: temperatura 30–90 °C. Efluentes quentes de processo: variável. A auditoria energética como ponto de partida Inventário dos fluxos de calor residual disponíveis: caudal, temperatura, composição dos gases, intermitência. Estimativa da potência térmica recuperável e da energia anual associada. Estudo das utilizações potenciais do calor recuperado. Análise tecnicoeconómica com investimento estimado, poupança anual em combustível e ROI. Identificação dos mecanismos de apoio disponíveis no país de operação. Diferença entre estimativa orientativa e auditoria formal Uma estimativa simplificada é útil como primeiro filtro. Para … Ler mais

Calculadora de poupança energética e redução de CO₂ por recuperação de calor industrial

    Blog técnico › Eficiência energética Calculadora de poupança energética e redução de CO₂ por recuperação de calor industrial Ferramenta orientativa para estimar a potência térmica recuperável, a poupança em combustível e a redução aproximada de emissões de CO₂ de instalar um permutador de recuperação de calor. Introduza os dados do seu processo e obtenha uma estimativa em segundos. BOIXAC Tech SL Fatores de emissão APA 2024 · Valores editáveis Ferramenta orientativa — resultados estimativos sem validade normativa Aviso importante — ler antes de utilizar a ferramenta Esta ferramenta é estritamente orientativa. Os resultados são estimativas simplificadas baseadas no balanço térmico Q = ṁ · cp · ΔT · η e em fatores de emissão de referência. Não têm qualquer validade técnica, legal ou normativa. A BOIXAC Tech SL não assume qualquer responsabilidade decorrente da utilização desta ferramenta nem dos seus resultados para qualquer finalidade. 🌍 1 · Selecione o território — Selecione um território —PortugalInternacional (genérico GHG Protocol) 📊 Fatores de emissão de referência — editáveis ↺ Restaurar Os valores apresentados provêm de fontes oficiais. Pode modificá-los para os adaptar às condições reais do seu processo. Prima “Restaurar” para voltar aos valores originais. Combustível Fator de emissão Fonte de referência 2 · Dados do processo Caudal do fluido ou gás quente kg/hm³/h (gás)kg/s Caudal mássico da corrente quente disponível para recuperação. Valores típicos: fornos industriais 2.000–50.000 kg/h; caldeiras a vapor 1.000–20.000 kg/h; motores de cogeração 500–5.000 kg/h. Temperatura de entrada°CTemperatura à saída do processo, antes do permutador. Temperatura de saída objetivo°CTemperatura mínima de saída do fluido quente. Para gases de combustão, nunca descer abaixo da temperatura de orvalho ácido (tipicamente 120–150 °C para gás natural, 140–160 °C para gasóleo). Calor específicokJ/(kg·K)Ar seco ≈ 1,006 · Gases de combustão ≈ 1,05–1,15 · Vapor ≈ 2,0 · Água ≈ 4,18 kJ/(kg·K) Horas de operação anuaish/anoOperação contínua: 8.760 h/ano. 2 turnos, 5 dias: ≈ 4.000 h/ano. Eficiência estimada do permutador%Recuperação industrial habitual: 65–85 %. Valor conservador por defeito: 75 %. 3 · Combustível Combustível substituído — Selecione o combustível. O fator de emissão é retirado da tabela acima. Preço do combustível€/kWhAdapte o preço ao seu contrato real. Rendimento da caldeira / gerador de calor%Caldeira convencional: 85–90 %. Condensação: 95–105 %. Vapor: 80–88 %. Preço de referência CO₂ (opcional)€/t CO₂Preço indicativo do mercado de carbono. Colocar 0 para ignorar este fator. 4 · Investimento (opcional — para o ROI) Custo estimado do equipamento e instalação€Inclui equipamento, instalação e arranque. Deixar em branco para omitir o ROI. Nota: o ROI pode ser muito curto (meses) em processos com grande caudal e ΔT elevado — verifique sempre com uma proposta real. Custo anual de manutenção adicional€/anoLimpeza, inspeção, peças. Habitualmente 0,5–2 % do custo do equipamento por ano. Calcular estimativa ↺ Reiniciar Estimativa orientativa Detalhe do cálculo estimativo Parâmetro Valor estimativo Limitação dos resultados Estes resultados são puramente estimativos. Foram obtidos com o balanço térmico simplificado Q = ṁ · cp · ΔT · η, sem considerar perdas por radiação, variações de carga sazonais nem a temperatura de orvalho ácido. Não representam o comportamento real de nenhum equipamento ou instalação específica. Para uma estimativa técnica rigorosa, contacte o escritório técnico da BOIXAC. Aviso legal e limitação de responsabilidade Ferramenta de carácter estritamente informativo e orientativo. Os resultados não têm qualquer validade técnica, legal ou normativa e não podem ser utilizados para qualquer finalidade oficial, contratual ou regulatória. Os fatores de emissão apresentados são valores de referência indicativos. A BOIXAC Tech SL não assume qualquer responsabilidade por decisões tomadas com base nos resultados desta ferramenta. Precisam de uma estimativa técnica real para o vosso processo? O escritório técnico da BOIXAC analisa as condições reais do vosso processo e propõe a solução de recuperação térmica com um balanço térmico detalhado. Contactar o escritório técnico

Diretiva Máquinas 2006/42/CE fabricantes caldeiras industriais

Diretiva Máquinas 2006/42/CE para fabricantes de caldeiras e equipamentos térmicos | BOIXAC Guia técnico › Regulamentação industrial Diretiva Máquinas 2006/42/CE: guia técnico para fabricantes de caldeiras e equipamentos térmicos industriais Análise dos requisitos essenciais de saúde e segurança, da avaliação de conformidade e da marcação CE para fabricantes OEM que integram componentes térmicos —economizadores, recuperadores, permutadores— em caldeiras e conjuntos de máquinas industriais. BOIXAC Tech SLAtualizado: 2026Leitura: ~8 min Nota sobre o âmbito deste guia Esta página tem finalidade exclusivamente informativa e divulgativa. Não constitui aconselhamento jurídico nem de engenharia. A interpretação e aplicação da Diretiva 2006/42/CE pode variar consoante o produto específico, o país de comercialização e as circunstâncias concretas de cada fabricante. A BOIXAC Tech SL não exerce atividades de consultoria regulatória e não assume qualquer responsabilidade decorrente da utilização desta informação. Para qualquer decisão de conformidade, consulte um organismo notificado acreditado ou um consultor jurídico especializado em direito de produto. Para os fabricantes OEM de caldeiras, geradores de vapor e equipamentos térmicos industriais, a Diretiva Máquinas 2006/42/CE é o quadro legal que determina as condições para a colocação no mercado europeu. A integração de componentes de terceiros —economizadores, permutadores de calor, recuperadores— num conjunto de máquinas condiciona a avaliação de riscos, a documentação técnica e a responsabilidade do fabricante integrador. 1. Âmbito de aplicação: quando se aplica a Diretiva Máquinas A Diretiva 2006/42/CE aplica-se a máquinas, entendidas como um conjunto de peças ou componentes ligados entre si, dos quais pelo menos um é móvel, e que dispõe de um sistema de acionamento. As caldeiras industriais com queimadores, sistemas de controlo automático e componentes auxiliares acionados elétrica ou pneumaticamente enquadram-se claramente no âmbito de aplicação da diretiva. 🔥Caldeiras industriais com queimadorConjuntos com sistema de ignição automático, controlos de segurança e componentes auxiliares acionados. ⚙️Geradores de vapor industriaisEquipamentos com sistemas de regulação automática de pressão, nível e temperatura. 🏭Conjuntos de máquinas térmicasInstalações em que várias máquinas se combinam para realizar uma função conjunta. ⛔Componentes passivos sem peças móveisPermutadores, economizadores e recuperadores sem acionamento próprio ficam geralmente fora do âmbito direto. Interseção com a Diretiva PED 2014/68/UE Quando uma caldeira integra componentes sob pressão, duas diretivas aplicam-se simultaneamente: a 2006/42/CE para os riscos mecânicos e operacionais do conjunto, e a PED 2014/68/UE para os riscos específicos da pressão. O fabricante integrador é responsável por gerir ambos os quadros de conformidade. 2. Requisitos Essenciais de Saúde e Segurança (RESS) Princípios gerais de segurança (§1.1): As máquinas devem ser concebidas de modo a não colocar em perigo as pessoas quando utilizadas nas condições previstas. A segurança por conceção tem prioridade sobre os dispositivos de proteção. Materiais e produtos (§1.3.2): Os materiais devem ser adequados para os fluidos de trabalho, temperaturas e pressões previstas. O fabricante integrador deve verificar que os materiais do componente externo cumprem os requisitos do fluido de trabalho da caldeira. Temperatura de superfície (§1.5.5): As superfícies quentes acessíveis suscetíveis de provocar queimaduras devem ser isoladas ou protegidas. Especialmente relevante para economizadores de alta temperatura. Pressão e temperatura de conceção (§1.5.7): As máquinas devem suportar as cargas previstas com margem de segurança adequada, incluindo as pressões máximas de operação dos circuitos hidráulicos e de vapor. Sistemas de controlo e paragem de emergência (§1.2): A caldeira deve dispor de sistemas de controlo que permitam uma paragem segura em caso de avaria, incluindo os componentes integrados. Instruções (§1.7.4): O manual deve incluir informações sobre todos os componentes integrados, incluindo as instruções de manutenção dos componentes fornecidos por terceiros. 3. Avaliação de conformidade: procedimentos aplicáveis Procedimento Organismo notificado Aplicação para caldeiras Documentação resultante Anexo VIIIAuto-avaliação Facultativo Máquinas não incluídas no Anexo IV. Caldeiras padrão quando o fabricante aplica normas harmonizadas (p.ex. EN 12952, EN 12953). Processo técnico interno + Declaração CE de Conformidade Anexo IXExame CE de tipo Obrigatório Máquinas do Anexo IV ou sem aplicação de normas harmonizadas. Caldeiras de grande potência ou configuração não padrão. Certificado de exame CE de tipo + Processo técnico + Declaração CE Anexo XGarantia total de qualidade Obrigatório Alternativa ao Anexo IX para fabricantes com sistema de qualidade aprovado por organismo notificado. Adequado para fabricantes OEM em série. Sistema de qualidade aprovado + Declaração CE Normas harmonizadas: o caminho mais seguro para a conformidade A aplicação de normas harmonizadas publicadas no JOUE confere uma presunção de conformidade com os RESS correspondentes. Para caldeiras de tubos de fumo, a norma de referência é EN 12953. Para caldeiras de tubos de água, EN 12952. Para a conceção mecânica geral, EN ISO 12100 é a referência central. 4. A responsabilidade do fabricante integrador perante componentes de terceiros Responsabilidade do fabricante integrador — ponto crítico Se um componente fornecido por terceiros não satisfaz os requisitos técnicos necessários para a sua integração segura, a responsabilidade pela não conformidade do conjunto recai sobre o fabricante integrador, não sobre o fornecedor do componente. A diligência na qualificação de fornecedores é um requisito de conformidade, não apenas uma boa prática comercial. Declaração de conformidade PED (se o componente ultrapassar os limiares do artigo 4.º da Diretiva 2014/68/UE), com indicação da categoria de risco e do módulo de avaliação aplicado. Ficha técnica com parâmetros de conceção: PS (pressão máxima admissível), TS (temperatura máxima de conceção), DN, materiais, fluido de conceção e limitações de utilização. Instruções de instalação e manutenção na língua do país de comercialização. Rastreabilidade de materiais para componentes em contacto com fluidos sob pressão ou a alta temperatura. 5. Marcação CE e Declaração de Conformidade A marcação CE não é uma marca de qualidade nem um certificado de aprovação externo: é a declaração do fabricante de que o produto cumpre todos os requisitos legais aplicáveis. A marcação CE é obrigatória para a colocação no mercado europeu (EEE). A sua ausência constitui uma infração legal. O processo técnico deve permanecer acessível às autoridades de fiscalização do mercado durante um mínimo de 10 anos após o fabrico do último exemplar. A Declaração CE de Conformidade deve acompanhar cada unidade e estar disponível na língua oficial do país de destino. 6. Novo Regulamento Máquinas 2023/1230/UE: … Ler mais

Norma água alimentação caldeira EN12953-10

A norma EN 12953-10: requisitos de qualidade da água em caldeiras pirotubulares industriais | BOIXAC Blog técnico › Normalização e operação A norma EN 12953-10: requisitos de qualidade da água em caldeiras pirotubulares industriais Análise técnica dos parâmetros que a norma define para a água de alimentação e a água de caldeira, e a sua relevância para a integridade e a segurança dos sistemas de geração de vapor. BOIXAC Tech SL Atualizado: 2026 Leitura: ~10 min Nota sobre o âmbito deste artigo Este texto tem carácter exclusivamente informativo e divulgativo. Não constitui assessoria técnica, de engenharia nem de tratamento de águas, e não pode em caso algum substituir a análise específica realizada por um especialista qualificado sobre uma instalação concreta. Os valores e parâmetros mencionados provêm da norma EN 12953-10 e da literatura técnica especializada; devem ser sempre interpretados no contexto da norma original em vigor, das instruções do fabricante da caldeira e das prescrições do organismo de inspeção habilitado. A BOIXAC não assume qualquer responsabilidade por decisões tomadas com base no conteúdo deste artigo. A qualidade da água é, a par das condições de conceção e de fabrico, o fator que maior influência exerce sobre a integridade a longo prazo de uma caldeira pirotubular. A norma europeia EN 12953-10 estabelece os requisitos mínimos de qualidade da água de alimentação e da água de caldeira para este tipo de equipamentos, com o objetivo fundamental de minimizar o risco para o pessoal e para as instalações circundantes. Para os técnicos de processo, responsáveis de manutenção e gestores de instalações que operam sistemas de geração de vapor, compreender o quadro que esta norma define — quais os parâmetros que controla, por que razões e com que critérios — é um elemento essencial da gestão técnica da instalação. 1. Quadro normativo e âmbito de aplicação A norma EN 12953-10:2003 faz parte da série EN 12953, que regula no seu conjunto a conceção, o fabrico, a documentação e a operação das caldeiras pirotubulares (também designadas caldeiras de fumos, firetube boilers ou shell boilers). A parte 10 ocupa-se especificamente dos requisitos de qualidade da água de alimentação (feedwater) e da água de caldeira (boiler water). O seu âmbito de aplicação abrange todas as caldeiras pirotubulares aquecidas por combustão de um ou vários combustíveis ou por gases quentes, destinadas à geração de vapor e/ou água quente. A norma aplica-se aos componentes compreendidos entre a entrada da água de alimentação e a saída do vapor do gerador. A qualidade do vapor produzido está expressamente excluída do âmbito da norma; quando existem requisitos específicos para o vapor, são necessários documentos normativos adicionais. Relação com o regime de operação espanhol O Real Decreto 2060/2008, de 12 de dezembro, que aprova o Regulamento de Equipamentos sob Pressão, estabelece que o utilizador de caldeiras de vapor ou de água quente está obrigado a manter a água dentro das especificações das normas UNE-EN 12953-10 (caldeiras pirotubulares) ou UNE-EN 12952-12 (caldeiras aquotubulares). Trata-se, portanto, de uma obrigação legal do operador da instalação. 2. Objetivo técnico da norma: os mecanismos de dano a prevenir Incrustações e depósitos A precipitação de sais de cálcio, magnésio e silicatos sobre as superfícies de transferência de calor gera camadas de baixa condutividade térmica. Um depósito de apenas 1 mm pode aumentar o consumo de combustível em cerca de 5–8 % e elevar localmente a temperatura da parede metálica a valores que comprometem a sua integridade. Corrosão O oxigénio dissolvido e o dióxido de carbono livre são os principais agentes corrosivos. A corrosão por oxigénio gera picadas localizadas (pitting) que podem progredir até perfurar a parede do tubo. Um pH inadequado favorece diversas formas de ataque químico sobre o aço ao carbono. Espumação e arrastamentos A presença de sólidos dissolvidos totais (TDS) em concentração elevada, ou de determinadas substâncias orgânicas, pode provocar formação de espuma na superfície do nível de água. Este fenómeno implica o arrastamento de gotas de água de caldeira com o vapor (priming), contaminando o vapor com sais. Lamas e obstruções As impurezas em suspensão e os precipitados não eliminados por purga podem acumular-se formando lamas nas zonas de baixa velocidade da água, dificultando a circulação e a transferência de calor, e favorecendo a corrosão sob o depósito. 3. Distinção fundamental: água de alimentação e água de caldeira A norma distingue com precisão dois tipos de água com requisitos diferentes e controlados de forma independente. A água de alimentação (feedwater) é a água que entra na caldeira para repor o volume evaporado. É habitualmente uma mistura composta pelo condensado recuperado e pela água de reposição (make-up water), submetida aos pré-tratamentos externos necessários. A água de caldeira (boiler water) é a água que se encontra no interior do corpo da caldeira durante a operação. Sendo a água de alimentação uma fonte contínua de impurezas, a água de caldeira sofre uma concentração progressiva dessas substâncias. Os seus parâmetros admissíveis são geridos através das purgas do sistema. 4. Parâmetros de qualidade: descrição técnica pHa 25 °C Determina o carácter ácido ou alcalino da água. Um pH moderadamente alcalino na água de alimentação inibe a corrosão por oxigénio; na água de caldeira, a alcalinidade é necessária para manter a passivação do aço. Dureza totalCa + Mg, mmol/l Exprime a concentração de iões cálcio e magnésio, principais formadores de incrustações calcárias. A norma exige níveis extremamente baixos na água de alimentação, que na prática requerem tratamento de amaciamento ou desmineralização. Oxigénio dissolvidoO₂, mg/l Agente corrosivo primário. Deve ser eliminado combinando desgaseificação térmica com dosagem de sequestrantes de oxigénio. A norma distingue os limites em função da pressão de projeto da caldeira. Condutividade diretaµS/cm a 25 °C Indicador indireto da concentração total de sais dissolvidos (TDS). A norma classifica o regime de operação em função de a condutividade direta da água de alimentação ser superior ou inferior a 30 µS/cm. Condutividade ácidaµS/cm, após cationizador Determinada passando a amostra por um permutador catiónico fortemente ácido. Particularmente sensível à presença de CO₂, cloretos e sulfatos, fornecendo uma medição mais fiável dos aniões agressivos. Ferro totalFe, mg/l Provém principalmente da corrosão de tubagens de … Ler mais

Recuperação de calor industrial

Podcast Con G de Geo: recuperació de calor i sostenibilitat industrial | BOIXAC BOIXAC › Presença mediática › Podcast Con G de Geo Podcast Con G de Geo: recuperação de calor e sustentabilidade industrial Na BOIXAC tivemos a honra de ser convidados e participar no podcast Con G de Geo, cujo objetivo é aproximar a engenharia que procura o desenvolvimento através da sustentabilidade, mediante as energias renováveis, a otimização energética e o uso eficiente dos recursos. BOIXAC Tech SLTranscrição podcastLeitura: ~6 min Índice de conteúdos 1. Apresentação 2. O Pacto Verde Europeu e os objetivos de 2030 3. A indústria como alavanca de mudança 4. O equilíbrio energético e a recuperação de calor 5. Como funciona um recuperador de calor 6. BOIXAC e os permutadores de calor industriais A seguir encontrará a transcrição com a nossa contribuição e convidamo-lo a ouvir-nos clicando aqui. 1. Apresentação Em dezembro de 2019 foi aprovado aquilo que conhecemos como o Pacto Verde Europeu, que tem como objetivo alcançar a neutralidade climática até 2050. Para isso, foi feita uma escalada com as diferentes ações a realizar e, um dos degraus em que iremos parar e analisar se fizemos os deveres de casa, é 2030. 2. O Pacto Verde Europeu e os objetivos de 2030 Além de incluir aspetos como recuperar a biodiversidade, melhorar o bem-estar animal ou fomentar a gestão florestal sustentável, existem três aspetos que influenciam diretamente o campo da energia: Energias renováveis Estabelecer uma quota mínima de energias renováveis de 40%. Eficiência energética Melhorar a eficiência energética em 36–39%. Emissões GEE Reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 55%. Todos estes aspetos são importantes para dar solução à emergência climática mas, na BOIXAC, entendemos que se a população mundial continuar a aumentar, por exemplo, apenas em Espanha prevê-se um aumento de 2% nos próximos 15 anos, para além da utilização de energias renováveis, a sustentabilidade passa pela mudança no consumo e na otimização dos recursos. Neste sentido, considerando que a indústria espanhola consome cerca de 31% do total da energia, a sua modernização e otimização é uma das chaves para o nosso futuro. 3. A indústria como alavanca de mudança A indústria espanhola e o consumo energético A indústria espanhola consome cerca de 31% do total da energia. A sua modernização e otimização é uma das chaves para o futuro energético do país. Quando circulamos pela autoestrada, até onde a vista alcança, vemos fábricas que necessitam de energia para os seus processos. Alguns exemplos: Tratamento de águas residuais Aquecer águas residuais para facilitar a digestão biológica das lamas. Construção Secar cimento para a sua correta conservação. Agricultura Aumentar o CO₂ nas estufas para aumentar a velocidade da fotossíntese. Alimentação Arrefecer alimentos como botijas para a sua moldagem. 4. O equilíbrio energético e a recuperação de calor Todos os processos que necessitam de aquecer ou arrefecer requerem energia, e a energia mantém um equilíbrio. De facto, o calor é a transferência de energia de uma zona de temperatura elevada para outra zona de temperatura mais baixa. Se, por exemplo, observarmos o que acontece nas nossas casas quando ligamos o ar condicionado veremos esse equilíbrio. Enquanto a unidade interior impulsiona ar frio, a unidade exterior expulsa o calor excedente. Partindo deste equilíbrio energético, vemos que é necessária uma certa renovação do ar interior para manter a sua qualidade. Para esta renovação captamos o ar exterior e arrefecemo-lo ou aquecemo-lo em função de cada necessidade. Ao mesmo tempo que introduzimos o ar novo, temos de expulsar o ar excedente do interior para que o novo possa entrar e é aqui que entramos com a recuperação de calor. O princípio-chave Se dermos um salto das nossas casas para a indústria e imaginarmos, por exemplo, que o ar exterior está a 20 ºC e queremos aquecê-lo para que chegue aos 80 ºC no interior, caso por exemplo de um secador em que precisamos de extrair a humidade. Aqui aparentemente necessitamos de um equipamento capaz de aumentar a temperatura do ar em 60 ºC, de 20 para 80 ºC. No entanto, existe outra possibilidade mais inteligente, económica e sustentável. 5. Como funciona um recuperador de calor Passo 01 Ar exterior frio Ar a 20 ºC captado do exterior que queremos introduzir na sala ou processo. Passo 02 Fluxos cruzados O ar de entrada e o ar de saída (a 80 ºC) cruzam-se sem se misturarem através de um sistema de fluxos cruzados. Passo 03 Intercâmbio térmico Extrai-se o calor do fluxo de ar de saída e transfere-se para o fluxo de ar de entrada, mantendo a qualidade do ar filtrado. Quando captamos este ar do exterior a 20 ºC e queremos aquecê-lo para o introduzir numa sala, um mesmo caudal de ar que estava no interior a 80 ºC será expulso. Mediante um sistema de recuperação de calor fazemos com que estes dois fluxos de ar se cruzem sem se misturarem através de um sistema que conhecemos como fluxos cruzados. Estes fluxos não os misturamos para assim manter a qualidade do ar previamente filtrado, mas extraímos o calor do fluxo de ar de saída e transferimo-lo para o fluxo de ar de entrada. Com este sistema alcançamos dois objetivos: 🌡️ Objetivo 1: pré-aquecimento do ar de entrada O ar frio que estamos a introduzir aumentará a sua temperatura, de forma que o equipamento que utilizamos para aquecê-lo, frequentemente caldeiras, poderá trabalhar de forma mais relaxada, consumindo menos energia e, portanto, poupando e sendo mais sustentável. ♻️ Objetivo 2: arrefecimento do ar de saída O ar quente que estamos a expulsar reduzirá notavelmente a sua temperatura aproximando-se da temperatura ambiente e, consequentemente, seremos ainda um pouco mais sustentáveis. A tecnologia dos recuperadores de calor A tecnologia dos recuperadores de calor pode variar em função da aplicação e do fabricante, mas baseia-se no aperfeiçoamento dos filtros para oferecer uma correta qualidade do ar, dos ventiladores para obter a circulação do ar com o menor consumo elétrico e dos recuperadores de energia que são o coração que permite … Ler mais